domingo, 21 de agosto de 2011

A Força da Minha Vida Cintia&Silvia

A Força da Minha Vida


A Força da Minha Vida


Composição: Silvia Mendonça / Cintia Scola
A força da minha vida é o Senhor
De quem me recearei?
Se uma guerra contra mim se levantar
Ainda assim n'Ele eu confiarei
O meu coração tem ouvido o Senhor dizer:
"Vem falar Comigo povo meu"
E então o meu coração responde:
"Senhor estou indo
Guia-me por este estreito caminho"
A minha alegria é o Senhor
Que conheceu minh'alma e não me desprezou
Esperando neste Deus que me fortalecerá
Vencerei até o que for mais forte do que eu
O meu coração tem ouvido o Senhor dizer:
"Vem falar Comigo filho meu"
E então o meu coração responde:
"Senhor estou indo
Guia-me por este estreito caminho"
A minha alegria é o Senhor
Que conheceu minh'alma e não me desprezou
Esperando neste Deus que me fortalecerá
Vencerei até o que for mais forte do que eu
O meu coração tem ouvido o Senhor dizer:
"Vem falar Comigo filho meu"
E então o meu coração responde:
"Senhor estou indo
Guia-me por este estreito caminho"
E antes eu nem sequer podia andar
Mas Jesus o tornou largo suficiente para eu passar
E antes eu nem sequer podia andar
Mas Jesus o tornou largo suficiente para eu passar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Grupo paulistano de fieis gays quer igreja mais atuante com LGBT




São Paulo começou com o Happy Hour Abençoado na última quarta-feira, 13, no Casarão Brasil, um movimento para tirar a igreja, gay, de dentro da própria igreja. Depois de passar como pastor por algumas denominações evangélicas inclusivas ou não, Kim Ferreira agora quer formar um grupo de cristãos que tem como objetivo se reunir para colocar em prática preceitos de Jesus como amar ao próximo.


“Não é uma nova igreja”, avisa Kim, idealizador da iniciativa, explicando que se trata de uma iniciativa para reunir cristãos para comungar da palavra de Deus, mas principalmente fazer trabalhos em prol da comunidade LGBT. Uma iniciativa que surgiu de uma necessidade observada por ele no trabalho assistencial de outras igrejas, que é muito amplo e nem sempre atende as necessidades de homossexuais que precisam de algum tipo de auxílio.


O objetivo é reunir às quartas cristãos para atuar em trabalhos assistenciais com foco nas necessidades e especificidades da comunidade LGBT. “A travesti quando vai para um abrigo comum tem que tirar esmalte, não pode ser ela mesma”, exemplifica, já pensando em um futuro projeto. Isso com um modelo mais moderno, sem pagar dízimo, sem cargos que possam gerar cobiça, inveja e disputa e sem a pesada fôrma das normas e regras das igrejas.


Uma normatização que Kim denuncia ter ocorrido também na fundação de denominações inclusivas. “Copiou-se os mesmos erros”, aponta ele, que ajudou na abertura em São Paulo da Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE). A intenção não é tirar nenhum fiel de sua igreja, é realmente unir pessoas em busca de uma forma de expressão da fé que não tem regra, não tem roupa cara ou barata, que pode usar batom, esmalte, peruca e salto nos encontros.


A primeira reunião rolou na última quarta como um primeiro passo para esse caminho de uma fé mais liberta. Bem poucas pessoas foram, o que Kim atribui ao fato de o evento ter sido divulgado um pouco em cima da hora. A próxima está marcada para a próxima quarta-feira, 20, a partir das 18h, também no Casarão Brasil, que fica na Rua Frei Caneca, 1057 – Cerqueira César. Mais informações sobre como participar pelo e-mail kimsp61@gmail.com. 

sábado, 2 de abril de 2011

Vergonha de ser evangélico

Vergonha de ser evangélico

    Nos últimos anos tenho tido vergonha de ser evangélico. Me envergonho de dizer que sou cristão e de tentar convencer qualquer pessoa que não é cristã, de que Cristo de fato é quem Ele disse ser: o Caminho, a Verdade e a Vida, o Um com o Pai, o Filho Unigênito que, ao entregar-se para ser morto por nós, se tornou o Primogênito de Deus. O único meio de se chegar ao Pai.


Eu não tenho dúvida nenhuma de que Deus se relaciona com humanos e de que quer dividir sua divindade conosco e o faz através de Cristo. Ele quer dividir-se e fazer-nos Seus companheiros, mesmo com os mais indignos e os mais visivelmente insignificantes.


Mas eu me envergonho de me dizer discípulo de Jesus Cristo. E essa é uma vitória da ferida pútrida e pensante que congrega e se alimenta do mal e que os cristãos chamam de Diabo. Ele se assentou e ocupa um lugar proeminente nas estruturas institucionais daquilo que se diz e se chama Igreja Cristã, seja de que tendência ou denominação for.


Tenho vergonha de que a oração sacerdotal de Jesus, devidamente registrada no capítulo 17 do Evangelho de João, seja o tempo todo contrariada por aqueles que se dizem seus mais fervorosos seguidores. Tenho vergonha de que chamem de igreja a essa disputa de feudos e de poder. Tenho vergonha que os que se dizem cristãos estejam mais comprometidos em fazer avançar o reino de bispos, apóstolos e pastores, do que o reino de Deus que é justiça, paz, alegria e amor.


Tenho vergonha de lobos loucos. Eles gritam e vociferam um farisaísmo legalista contra o que chamam de imoralidade sexual, enquanto engolem vorazmente a oferta de pobres, órfãos e viúvas, com mansões, viagens, hotéis 5 estrelas, canais de televisão, estações de rádio e todo tipo de império midiático para propagar suas idéias estúpidas e que não têm nada a ver com o evangelho vivido por Jesus de Nazaré.


Tenho vergonha de que essa corja se preocupe de impor um estado farisaico evangélico amaldiçoado (seja anátema qualquer evangelho que não seja O EVANGELHO  de Jesus Cristo!) para uma sociedade que, nem Deus, que é Deus, obriga que seja evangélica.


Tenho vergonha de que eles se preocupem com o fato de gays quererem viver relações sólidas, respeitosas, legais e duradouras - ou não! porque nem Deus obriga ninguém a viver assim - e não se preocupem de incentivar os membros de seus feudos, a que chamam de igreja, a pagarem imposto de renda, a denunciar a corrupção,  a defenderem os mais fracos, a não fazer concessão para a mentira, para o desvio de dinheiro público, para a malversação de verbas públicas, construindo dentro das paredes de seus feudos uma sociedade de castas, cruel e desumana. Fazem dos humanos infantilóides bestializados. Puxam saco de quem tem poder, fama, carisma, dinheiro e humilham os que nada têm. Vêem a nudez dos que não são de seu feudo e ignoram e justificam suas próprias contradições.


Substituiram o Evangelho de Justiça, pela injustiça; o Evangelho da Paz, pela fofoca e controle imbecilizante da vida do próximo; o Evangelho da alegria pelo peso, pela culpa, pela dor, pela ferida, pelas doenças de toda sorte.


Trocamos o Evangelho do amor e do serviço abnegado, pelo evangelho do dinheiro, das hierarquias humilhantes, do poder e dos desmandos autoritários e prepotentes.


Como vou pregar o Evangelho se fizeram dele esse lugar de consagração de tudo o que a ele se opõe, o anti-cristo?


Ide, portanto, a todas as igrejas e pregai o Evangelho a todos os que se dizem cristãos, especialmente pastores, mentores, presbíteros, bispos, apóstolos...

Luca Martins

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sinais

SINAIS!
Leia e vá colocando textos da Bíblia ao lado de cada afirmação, e veja sua capacidade de identificar a verdade por ela própria, e não pela mera repetição de frases seguidas de referencias bíblicas.


Sinais!
Na terra, no mar, nas fontes das águas, no deserto, no campo, na cidade, nos céus e dos céus.
Sinais em baixo da terra, com terremotos e maremotos.
Sinais entre as nações, em guerras e revoluções.
Sinais na economia: fome, pobreza, acúmulo.
Sinais bio-cibernéticos, com mercadorias simulando o humano e o humano se tornando mercadoria.
Sinais na família, que vai acabando, morrendo, e que se desfaz em desrespeito e falência afetiva.
Sinais entre discípulos, com a morte da fé e o surgimento das “crenças do desespero”, e que colocam a alma no caminho da falácia.
Sinais na multiplicação dos saberes e das ciências.
Sinais na atmosfera, com mudanças no meio ambiente do planeta.
Sinais no espírito humano, com a entrega do ser ao culto ao egoísmo e à loucura dos desejos e caprichos.
Sinais e prodígios da mentira, com o aparecimento de coisas espantosas.
Sinais de angustia, de desespero, de medo do que virá.
Sinais de profetas falsos e de supostas revelações de segredos espirituais.
Sinais de falsos Cristos.
Sinais de anticristos.
Sinal do “filho da iniqüidade”.
Sinais na fronte e no braço. Sinal de número: 666. Até ao sinal do Filho do Homem, vindo sobre as nuvens com poder e grande glória.
Sinais! O mundo e tudo o que nele há está tomado de sinais!

Nele, em cujo Sinal de Ressurreição repousa a nossa confiança,

Caio

segunda-feira, 14 de março de 2011


8 passos para se tornar um IM...PA°STOR bem sucedido  Por Franklin Rosa

A projeção pessoal com a exposição midiática, tem sido o foco principal de muitos líderes, num contexto religioso onde se perde e se negocia gradativamente (porque não dizer: aceleradamente) valores, princípios, conteúdos de fé e vocação ministerial. São homens e mulheres que receberam uma “con-vocação” para serem despenseiros do Evangelho, mas que venderam sua consciência em nome de um “LUGARZINHO NA CALÇADA DA FAMA EVANGÉLICA”...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

”ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS”


Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém

Indignação

Vendo esta reportagem, fico completamente enojado com essa igreja que esta ai, porque em lugar de se preocupar em alimentar o faminto, curar suas feridas, querem apenas cura-los de sua "doença" chamada HOMOSSEXUALIDADE.
Quero aqui fazer mais uma denuncia contra uma entidade chamada MISSÃO CENA, esta entidade de cunho evangélico, retira travestis da rua, e os encaminha para morar em casas de família, ate que estejam "curados" para voltar ao convivo em sociedade.
Até quando vamos ter que conviver com esses abusos por um lado e a indiferença nossa por outro, como se isso não fosse problema nosso.

Gays sem teto


Sem-teto gays de SP andam juntos para se proteger


DE SÃO PAULO
"Acordem, meninas. São 7h, a diária acabou", diz o vigia de um estabelecimento comercial localizado na avenida Paulista.
Ele está falando com Samuel, 38, Joaquim, 35, Josué, 42, e Leandro, 23. Os quatro são gays e mendigos, moradores de rua.
Eles vivem em grupo para se proteger. Nos últimos meses, cresceram as agressões a moradores de rua e contra gays na avenida Paulista.
Zanone Fraissat/Folhapress
Da esuqerda para direita, grupo de mendigos gays vítimas de preconceito na região da Av Paulista. Joaquim José, Samuel viana, Josuer e Leandro.
Da esquerda para direita, grupo de mendigos gays vítimas de preconceito na região da av. Paulista. Joaquim José, Samuel, Josuer e Leandro.
Por serem pedintes, por serem homossexuais e por estarem naquela região, os quatro se dizem triplamente expostos. Dizem já ter sido espancados pela polícia, por skinheads e até por outros moradores de rua.
Todos esses mendigos gays têm em comum histórias de rejeição da família, de dependência de álcool e drogas, de prostituição e de abuso sexual na infância.
Todos têm uma "identidade" feminina. Josué é Kelly ("de Grace Kelly"). Samuel é Sam. Joaquim é Giovanna Antonelli. E Leandro é Ludimila. Deste ponto em diante, serão chamadas por seus nomes de mulher.
A maior queixa é a intransigência dos abrigos, que proíbem a entrada de mendigos travestidos. "Dizem: 'senhora, tem de colocar roupa de homem'", diz Kelly.
Com isso, muitos buscam escamotear a homossexualidade para conseguir vaga nos albergues e se precaver da violência e da discriminação dos outros abrigados.
"Sou uma mulher presa num corpo de homem. Não consigo representar uma coisa que não sou", diz Cláudio, nome de batismo de Cláudia, 39, travesti em terapia hormonal para ter traços femininos e crescer mamas.
A situação chegou aos bancos acadêmicos e virou tema de pesquisas de pós-graduação na USP e em outras universidades paulistas.
"Quanto maior a identidade de transgêneros, maior é a violência. Agregam estigmas que agravam a exclusão social", diz a psicóloga Fernanda Maria Munhoz Salgado, que faz mestrado na PUC sobre mendigos homossexuais.
Também mobilizou a militância gay, que negocia com a prefeitura a abertura do primeiro albergue exclusivo para gays, lésbicas, travestis e transexuais de São Paulo.
"Se cederem o imóvel, no estado em que estiver reformo com o meu próprio dinheiro", afirma o empresário Douglas Drumond, dono da sauna gay 269, na região da avenida Paulista.
Segundo o censo da prefeitura, havia 13.666 moradores de rua em São Paulo em 2009. No próximo recenseamento, deve ser incluída uma pergunta sobre a orientação sexual para saber, ao menos, quantos são.
VEJA O DOCUMENTÁRIO "O OUTRO LADO", DE DOUGLAS DRUMOND

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Encontros e Despedidas.

Ao ouvir a música “Encontros e Despedidas”, quis escrever sobre uma das coisas que falam do Caminho da Graça. Leia:
   
      
                                                   Slogan do movimento

Falam que o Caminho da Graça é apenas uma instituição light, informal e que possui uma liturgia enxuta. Realmente, o movimento Caminho da Graça nunca pretendeu deixar de ser uma instituição.
Todavia, o que o movimento carimbou no seu desdobramento é o abandono dos rudimentos do Cristianismo e não do Evangelho e entre eles, há uma eqüidistância altamente considerável.
Inicialmente, gostaria de fazer uma consideração:
O movimento não rotula quem são os filhos de Deus pela sua membresia cristã.
Ainda que uma ou outra igreja convencional diga que “ninguém pode julgar ninguém” e que “pode se ter filhos de Deus fora da igreja” fica tácita a idéia de que, ainda sim, a igreja convencional é o portal para o céu, pois, caso seja admitido que “há filhos de Deus fora da igreja”, esses filhos são exceção e esta lógica, a saber, “cotas de salvos no mundo”, me deixa a vontade para denominar as tais igrejas convencionais como instituição light em detrimento àquelas que dizem que “fora da igreja não há salvação”, “Jesus é o Caminho e a igreja institucional é o pré-caminho obrigatório”.
Não é mentira que no movimento, o “light” é notório, mas que se faça a leal distinção: ele só é “light” por ser um movimento comprometido com o Evangelho e tudo que preza por isso é (ou deveria ser) intrinsecamente leve, porém existe a instituição que apenas faz uma dieta em detrimento do Cristianismo e isso, já está fora do perímetro do Caminho da Graça.
A igreja evangélica light, como dei um exemplo num parágrafo acima, é agradável, acolhedora e seus pregadores são coerentes, porém ainda que diga que pode haver “salvos, fora” e “condenados, dentro”, ela separa quem pode e quem não pode comungar da fé cristã com sua régua moral, confessional e comportamental, em outras palavras, ela não concede espaço na mesa de sua instituição para um forasteiro; um samaritano; um peregrino; um transeunte. No máximo, dão um título de “bom samaritano” e o colocam numa galeria de exceções, deixando implícita a idéia de que Deus “pode até salvar um ou outro no mundo” e esses são dignos de serem chamados de filhos de Deus, mas não são aptos para cerrarem o pão da ceia.
A versão diet ou light do Cristianismo abrange aqueles que se opõem à Teologia da Prosperidade, ao legalismo, ao reformismo e etecéteras e ainda que sejam lugares agradáveis e freqüentáveis, elas se diferem do movimento, afinal, elas só agregam na mesa da ceia e dos ministérios, aqueles que lhe aderem, obedecendo às formatações específicas.
Ora, sabemos que separar “os que são e os que não são filhos do reino” é algo que cabe apenas a Deus e ainda sim, fazermos distinção de quem pode celebrar a ceia ou desenvolver um papel na instituição chamada cristã por um viés que exclui pessoas que podem ser filhas do Pai é no mínimo, um paradoxo.
Enquanto a igreja evangélica não ruir as teias que restringe pessoas pelas diferenças, sempre será uma forma em forma da igreja evangélica fundamentalista.
A música “Encontros e Despedidas”, cantada por Milton Nascimento, Maria Rita e outros, expõe como seria uma ambiência que vai além do “light”:
“...A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir...”
“...A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida...”
Deste modo, ninguém amarraria ninguém e todos seriam iguais sem serem programados em séries, convencidos, aderidos e sem mutilações para se padronizar a fim de ser achar nivelados com os filhos de Deus.
O Caminho da Graça, que não tem uma década, vem “contagiando”, de norte a sul do Brasil e fora do Brasil, de que o perímetro que serve como estadia, não são lugares aqui e acolá senão um grande Pangeia que reúne a todos num só lugar: na palma das mãos de Jesus.
Não há um lugar mais sagrado ou mais propício, onde é preciso fazer ressalvas, restrinções e acepções, há apenas uma grande Pangeia onde somos chamados para olhar uns para os outros e vibrar com a notícia: “Ele reconciliou todas as coisas, é privilégio saborear isso e roer até o osso!”
Viver assim é light, é life!
Dessa forma, toda igreja convencional seria apenas uma estação de gente que chega para ficar, voltar, olhar, passar, partir, cear, chorar, rir e crescer.
Deixaria de ser uma ilha que se conserva para si próprio e que se descarecteriza do seu meio.
Deixaria de propagar a implícita mensagem: “Se a sua igreja faz isso, ela está errada. Se você não tem outro lugar para frequentar, fique aí mesmo, pois fora dela, tudo é pior.” Ainda dizem assim: “fique, pois aí é o seu campo missionário”.
(Não que não seja, mas usar isso como álibi para não dizer de que “há vida lá fora” é leviandade).
  
Nem tudo que é cristão é Cristianismo. Mesmo que dentro do Cristianismo haja uma pluralidade de vertentes diferentes entre si, o Cristianismo não abarca toda manifestação cristã, afinal, a manifestação acontecia antes do nascimento do Cristianismo e pode muito bem acontecer de modo paralelo.
E não me venha dizer que tudo que tenha ritos (ceia e batismo), mentores e etc., seja Cristianismo. Cristianimo nunca foi definido por rito ou mentoria. Rito e mentoria apenas fazem parte do Cristianimo tanto quanto pode existir fora.
Cristianimo é um sistema que se utiliza do Evangelho para provocar uma cultura de identidade confessional que, inexoravelmente, esteja condicionada ao Evangelho em vias do aparelhamento sistêmico, todavia, a manifestação cristã pode existir fora deste sistema que procura viabilizar o Evangelho e que circunscreve quem faz parte ou não.
Se existe controle de quem é e quem não é cristão através de membresia, isso é Cristianismo.
Ninguém é judeu apenas por não acreditar no messias. Pra ser judeu tem que mamar no seio de Abraão, de Moisés e de toda a sua tradição religiosa.
Ninguém é do Cristianismo apenas por crer em Cristo ao ponto de Cristo habitar nele. Pra ser do Cristianismo, tem que provar que é batista, presbiteriano e etecéteras.
Se existe um manifesto cristão sem o encoleiramento, não se pode taxar de Cristianismo, pois para sê-lo é preciso sujeitar as pessoas à membresia e às regras específica daquela religião.
Quem pode ir em uma estação do Caminho da Graça, e que diga-se de passagem, passam por lá, espírita, ateu, evangélico, católico, agnóstico, xintoista e etc, ouvem um Carlos Bregantim dizer que “vocês que vêm, vão, passam e nunca mais voltam, são os “membros””,   e afirmar que isso é Cristianismo?
Cristianismo light é isso? Como um lugar onde não oferece membresia e rótulo pode ser chamado de Cristianismo light ou Cristianismo informal?
Um lugar que passa espírita, evangélico, sem-religião ou ateu para ouvir o evangelho e que não ofereça um “público congregacional de carteirinha”, pode se chamar de Cristiniamo? Cristianismo sem cristãos-membros?
Ou melhor:
Se você diz que o Caminho da Graça é Cristianismo, então quem são os “Cristãos-do-Cristianismo” do Caminho da Graça? Os espíritas, os ateus, os sem-religião, os xintoistas, os evangélicos que passam por lá?
Isso não faz sentido.
Enfim...
O que importa é que podemos encontrar [ou não] igrejas evangélicas lights [penso eu, que aqui o termo fica mais apropriado] por quebrarem os seus próprios tábus de maneira admirável, como também podemos encontrar movimentos que não possuem nenhum cordão umbilical com o sistema e que podem [ou não] vivenciar e anunciar o Evangelho de maneira admirável.
O Caminho da Graça é apenas um movimento cristão que anuncia o evangelho. Os rótulos ficam por conta das variadas interpretações que lêem o que acontecem e dão significados conforme a capacidade de apurar as coisas segundo o seu raso limite de raciocinio, deixando de ir além, a saber, a vasta possibilidade daquilo que pode acontecer, existir e ser enxergado e admitido.
É isso! Entenda o resto com a Maria Rita!
Moisés Lourenço 

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Veja imagens de protesto contra a homofobia na frente do Mackenzie

24/11/2010 - 21h07

Veja imagens de protesto contra a homofobia na frente do Mackenzie

THIAGO BRIZOLA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A concentração em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie para um protesto contra a homofobia começou por volta das 16h. Às 17h30, a CET bloqueou parte da rua Itambé e desviou o trânsito para a rua Maranhão, pois as calçadas não comportavam o número de manifestantes.
Ao som de Cazuza, cerca de 500 pessoas iniciaram um "apitaço". Membros de organizações LGBT e alunos do Mackenzie --contrários ao posicionamento da instituição--, pediam a demissão do chanceler da universidade, Augustus Nicodemus. Foi ele quem redigiu o "Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia", texto que é contra a aprovação do PL 122, que criminaliza a homofobia no Brasil.
ENTENDA O CASO
O "Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia" foi colocado no site da universidade na semana passada, antes das agressões, de caráter homofóbico, ocorridas em São Paulo e no Rio-- mas já foi retirado do ar. Nele, o chanceler, cargo máximo da universidade, recomenda à comunidade acadêmica a se orientar pelo que pensa a Igreja Presbiteriana do Brasil, associada vitalícia da instituição de ensino.
"Os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas", afirma Lopes, antes de dar parênteses ao que diz a igreja.
Na ocasião, a assessoria do Mackenzie afirmou que a universidade "se posiciona contra qualquer tipo de violência e discriminação" e "contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição".
No manifesto da igreja, endossado pelo chanceler, a instituição diz que é contra a aprovação da lei "por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia".
Em nota divulgada hoje, a assessoria disse que o Mackenzie respeita o direito de expressão de todos os cidadãos e reconhece o direito de manifestação pacífica.
"Hoje consolidada como uma das instituições de ensino mais conceituadas do país, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, que possui cerca de 40 mil alunos e 3 mil funcionários, sempre prezou pelo respeito à diversidade e pelo direito de liberdade de consciência e de expressão religiosa", diz a nota.
Com informações da FSP

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Caminho da Graça



O Caminho da Graça é aqui, ali, ai e alem, isto é, não há um lugar especifico, um único endereço, não, não há.

O Caminho da Graça é onde o Reino chega.

E o Reino não se contem. O Reino avança e nada e ninguém pode dete-lo.

O Caminho da Graça é um movimento em movimento o tempo todo, não há  fixidez.

Nos identificamos com o Evangelho e com todos aqueles que com o Evangelho se identificam em todos os lugares do universo.

Não nos identificamos com denominações, doutrinas, teologias, filosofias, moveres, unções, nem com titulações hierárquicas do mundo religioso e nem com pessoas “ícones”, e nem nos submetemos a qualquer autoridade espiritual  auto-proclamada por alguns, pois, o Evangelho é que é uma Pessoa e seu nome é Jesus de Nazaré, o Cristo. À Ele e só ã Ele nos submetemos, pois, ninguém é comparável a Ele.

O Evangelho que é a boa noticia do Eterno Deus aos homens, não é de propriedade de ninguém, mas, esta ao alcance de todos que querem, pois, o Evangelho é pra quem quer, e pra qualquer um.

É da vontade do Eterno Deus que o maior numero possível de pessoas, ou melhor, TODAS  saibam que  ELE está reconciliado com a humanidade e pra que isto aconteça o Evangelho não pode ser encaixotado, enquadrado, domesticado em nenhuma instituição religiosa ou por homem algum.

Bem, me reúno com alguns que livremente escolheram esta expressão em movimento do Reino que é o Caminho da Graça, para se encontrar e refletir sobre como aplicar o Evangelho no chão vida.

Valorizamos o encontro, a amizade, o partir do pão, o repartir de vida, o ambiente informal, leve, simples e com possibilidades de interação o tempo todo. 




Carlos Bregantim

sábado, 7 de agosto de 2010

Crônica do desassossego

Crônica do desassossego

Ricardo Gondim


No absoluto silêncio da madrugada, acordo. Tateio pelo quarto ainda escuro, procuro óculos, livro, caneta. Com tudo nas mãos, continuo a rodopiar no estreito corredor dos desejos. Sei que vagueio em busca do que não sei. O que anseio, nunca alcanço. Meu desejo renasce todas as manhãs. Desassossegado, profano o dia antes que o sol o faça.
Penso em aquietar a alma, abafar a pressa. Imagino as paredes translúcidas. Volto ao aquário pueril que protegia as minhas fantasias. Hoje esbarro contra o meu próprio reflexo em paredes de vidro. Tudo se tumultua. Estou agitado antes da hora. Sou peixe inconformado com as bordas estreitas de um mundo contido.
O dia mal deu as caras e já quero tirar o elmo, encostar a espada, desabotoar o colarinho, chutar os cuturnos.
Saio. Na calçada, caminho claudicante. Sou um anônimo. Não reconheço a persona que me substitui nas plataformas públicas. A multidão me rodeia. Ninguém escuta quando pergunto: “Quem sou eu?” Patético, falo ao vento: “Vou rasgar a litania do ‘não farás…’; desaprender todas as lições que já ensinei”.
Descubro que não me tornei o que um dia achei que era. Reinvento-me nas ilusões. Acabo perdido sem saber escolher a fantasia que devo vestir entre a montanha de trapos espalhados pelo chão. Fechado em mim, hermético, não faço sentido. Desperdiço palavras. Os signos de minhas intuições não passam de devaneios fúteis. Recorro às platitudes. O óbvio me ajuda a fugir de mim mesmo.
Tento remendar o coração com os retalhos esgarçados de um passado sem gosto. Dos ideais, sobraram fiapos; dos sonhos juvenis, estilhaços; da luta incansável, imobilidade. Tenho medo de me sentar de costas para a rua. Isolado, rejeito a mão que pode afagar. Suspeito: o elogio é prelúdio da cuspida.
Retorno ao silêncio da noite ainda jovem. Acordei e agora deito com a mesma fadiga. Resmungo algo sobre não voltar a me recostar naquele travesseiro. Dormir é morrer. O quarto se reveste de vazio. A vida volta à indiferença de sempre. O abismo do nada se abre debaixo da minha cama. Antes de cerrar os olhos, sou tomado pela vertigem do nada. Uma saudade trágica chega; pesadelo premonitório. A litania “do nunca mais” se repete como coro de um réquiem.
No limite do sono, procuro segurar o tempo. Sussurro mais um solilóquio enquanto empurro a cara contra o colchão: “Não, não temo a decrepitude”. Fantasmas do passado me espreitam do porão da memória. Distante dos amores que perdi, afundo no abismo escuro da melancolia . Adormeço com a sensação de que faltarei quando a mesa estiver rodeada de cadeiras vazias.
Soli Deo Gloria

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Meu jeito de Teologar



Ricardo Gondim
Teologia é linguagem sobre Deus. Com teologia procuramos juntar os cordões que podem dar sentido à nossa existência. Ansiamos por achar a nós mesmos enquanto arfamos pelo Divino. Rubem Alves acertou quando disse que a teologia não pode ser malha que prende o Mistério, mas é rede onde nos deitamos. Teologia é linguagem precária. Nela peregrinos se aconchegam e encontram ânimo na busca por Deus.
Como pastor de uma comunidade pujante, que reúne quase três mil pessoas por domingo, sei que em todos os sermões, de alguma forma, faço teologia. Adolescentes irrequietos, universitários idealistas, pequenos e médios empresários, funcionários públicos e idosos sábios chegam com muitas perguntas. Diante de suas aflições, vaidade, arrogância e cinismo perdem força.
Domingo, molhei a camisa com as lágrimas de uma mãe que havia enterrado o filho que se suicidara menos de um mês antes. Meu abraço, mesmo sem palavra alguma, era uma resposta calada diante de sua dor. Ali, eu articulava teologia em silêncio. Na impotência de não ter o que dizer naquela situação, simultaneamente comum e brutal, notei que o encadeamento da lógica religiosa carece da delicadeza de um violino.
Naquele rápido momento, vi que não havia como padronizar uma resposta. A gente só percebe o vício do lugar-comum, do clichê, do jargão, quando se vê diante de alguém destroçado pela tragédia.
Nesses confrontos inesperados com a dor, aprendemos a respeitar os dramas que nos rodeiam. Ficamos diante da insuficiência da linguagem. Foi desses encontros trágicos que mudei e mudei muito. Agora, quero teologar com menos altivez.
Quero falar de Deus sem exigências messiânicas; desprovido da presunção de lídimo defensor da sã doutrina. Desejo tão somente oferecer o ombro e abrir mão de minhas muitas explicações. Se no passado confundi entusiasmo com afobação, zelo com intolerância, arrojo com precipitação, hoje tento um pisar mais simples diante de Deus e dos homens.
Quero falar de Deus com mansidão. Sem reputação a defender, desisto do fascínio do sucesso, de angariar plateias, de inebriar-me com aplausos. Quero encarnar o significado mais profundo de “estar crucificado com Cristo”. Depois de tantos anos, ainda não me vesti da mesma atitude do meu Senhor, que se esvaziou para servir.
Quero falar sobre bondade, essa rara e nobre virtude que transcende nossas ações para nos integrar ao agir de Deus. Preciso ser bondoso comigo mesmo, não deixando que falsas culpas detonem processos internos de intransigência com o próximo; ser paciente com as inadequações dos que claudicam e doar-me como São Francisco de Assis: “Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado; compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se nasce para a vida eterna”.
Quero pregar mais sobre o Deus comensal, que nos convida ao banquete como pretexto para a intimidade. Quero fomentar uma espiritualidade de cozinha e não dos academicismos gelados. Desejo aprender lealdade na camaradagem da conversa solta; e no riso farto experimentar a alegria do reino de Deus.
Quero falar sobre os benefícios do sábado, não do sábado legalista, cravado no calendário, mas daquele que diz “basta” diante dos reclames da riqueza. Quero que a existência não se resuma ao trabalho; despertar para a urgência de eternizar cada encontro. Recordo-me de ter lido um verso sucinto: “A vida é curta, e acaba…”. Não levaremos daqui outra coisa senão as nossas memórias, portanto, que elas sejam doces.
Quero falar sobre Deus, sem esquecer o chão da fábrica, o quintal da casa, o pátio do colégio, a coxia do teatro, o corredor do hospital e a encosta da favela. De nada me adiantará “falar em tese”, se não conseguir encarar os Josés, as Tânias, os Rodrigos e as Kátias, que lutam bravamente para dar sentido à vida. Vejo a necessidade crescente de conversar com pessoas cujos nomes foram escritos não apenas no Livro da Vida, mas na palma da mão de Deus. Não quero que discursos substituam a força do abraço. Os amigos de Jó tropeçaram nos cadarços porque se imaginaram aptos para oferecer consolo com juízos horrorosos.
Quero falar do céu sem desgrudar-me do mundo e mostrar que a vida abundante prometida por Jesus não merece ser empurrada para depois da morte. Repetirei as palavras de Paulo: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”. Vou enfatizar que a verdadeira religião consiste em cuidar do órfão e da viúva. E não esquecerei: toda a lei se resume em amar a Deus e ao próximo como a mim mesmo.
Se conseguir teologar assim, com a ternura dos poetas e a paixão dos profetas, completarei a minha carreira, tendo guardado a fé.
Soli Deo Gloria

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AOS QUE QUEREM ENSINAR A PALAVRA…

AOS QUE QUEREM ENSINAR A PALAVRA…


De quem é a responsabilidade pelo erro coletivo entre os que confessam o Nome?...
É claro que o povo é responsável também, mas, na Bíblia, a maior responsabilidade é de quem não é povo, como o rei, o sacerdote ou o falso profeta...
Na Bíblia os verdadeiros profetas não poupam o povo, mas o tratam como um menino tolo e enganável...
Oséias diz que assim como é o povo é o profeta, e assim como é o profeta é o povo...
No entanto, é o profeta que diz: “Eu tenho a Palavra do Senhor!...” — o povo apenas diz: “Conta-nos então...”; e, frequentemente, ouve sem saber discernir a mão direita da esquerda...
Por isto o povo sofre... Sim, em razão de seus profetas vendidos, sacerdotes gordos de conforto e reis corruptos e luxurientos...
Nos evangelhos vemos o amor e a compaixão de Jesus pela gente do povo, chamando-os de ovelhas sem pastor...
Assim Ele diz que quem sabia pouco e errou conforme o que sabia, esse levará “poucos açoites”, mas o que sabia muito e não curou os seus próprios caminhos, antes deliberadamente continuou em seu erro, esse levará “muitos açoites”...
As piores advertências do Novo Testamento são feitas a quem diz que sabe..., a quem diz que vê..., a quem diz que conhece e propõe que outros façam conforme ele diz saber...
As únicas vezes que Paulo menciona nomes negativamente nas suas cartas, todas elas têm a ver com aqueles que diziam que sabiam, mas ensinavam o erro...
O mesmo se pode dizer de Pedro. Suas duas cartas lidam com os que diziam que sabiam e ensinavam errado...
Judas, o irmão do Senhor, também dedica a sua cartinha aos que diziam que sabiam e ensinavam, e, por isto, corrompiam o povo pelo engano de seus ensinamentos...
As duas últimas cartas de João se referem também aos que impediam o povo de ter acesso ao que era bom e verdadeiro...
Por último, à exceção da Carta à Igreja em Filadélfia, todas as cartas às Igrejas do Apocalipse, são textos de advertência ao “anjo”, ao mensageiro; e, além dele, aos que no grupo diziam que sabiam, e, portanto, ensinavam errado e corrompiam...
Tiago diz:
“Não nos esqueçamos irmãos que aqueles que dizem que são mestres, esses receberem muito maior juízo!”
O que pode qualificar então alguém para anunciar o que sabe?
Primeiro: saiba apenas o que está revelado... Todos os problemas acima mencionados com Paulo, Pedro, Judas, Tiago, João e outros, sempre se vincularam ao que os “mestres traziam como novidades”...
Segundo: ensine somente aquilo que você sabe que Jesus ensinou e que os apóstolos ensinaram; portanto, não invente...
Terceiro: veja quais são as implicações de suas opiniões em relação ao que já esteja revelado... Não tenha opinião que se choque com a revelação, nem ao menos de resvalo...
Quarto: creia que você se torna responsável pela mentira, pelo engano, pelo distorcimento, pela perda de rumo que seu ensino sugerir...
Quinto: saiba que sua falta de fé não deve ser sua mensagem, pois, por ela você será cobrado...
Sexto: por mais cheio de conhecimento que você seja..., ainda assim não pregue se você apenas souber sem fé... Não anuncie nada sem fé... Nem mesmo um grande conhecimento!...
Sétimo: saiba que aquele que ensina fabrica idéias e pensamentos... Portanto, veja o que você semeia na mente das pessoas... No fim você será cobrado por todas as sementes hibridas que plantou ou por todas as sementes que você anunciou como sendo de uma qualidade... , quando, de fato, eram de outra...
Leva tempo até que a Palavra seja decantada em nós...
Por isto se diz que o “neófito”, ou “recém”, o “novinho”, “o jovem imaturo”, ou o “homem empolgado”..., não devem sair pregando; antes, precisam dar tempo ao tempo, e ver que qualidade de fruto será produzido em sua própria existência...
E mais:
Se em sua casa, com os seus, você não frutifica o Evangelho, por que haveria você se pregar a outros... se você não faz o Evangelho mostrado em silencio pela sua própria vida?...
A seara é grande e os trabalhadores são poucos... Mas Jesus não mandou treinar e nem recrutar...
Não! Ele disse que se deveria pedir ao Senhor da seara para que Ele mesmo mandasse trabalhadores para a Sua seara!
Assim, melhor do que uma multidão de pastores que não sabem discernir entre a mãe direita e a esquerda... — é se ter apenas uns poucos pastores maduros, mas que façam tudo com amor e certeza em fé.
Não se apresse em levantar-se para pregar!...
Deixe que a Palavra levante você!
Quanto ao mais, apenas compartilhe o que seja o amor de Deus em você, mas não se apresse em ensinar...
Pense nisso!...

Nele,

Caio
18 de agosto de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

sábado, 24 de abril de 2010

As marcas da institucionalização da Igreja



As marcas da institucionalização da Igreja

A igreja tem duas dimensões: organismo e organização, corpo místico de Cristo e instituição religiosa, que convivem e se misturam enquanto fenômeno histórico e social. O grande desafio é fazer a dimensão institucional diminuir para deixar o organismo espiritual crescer. O que se observa hoje, entretanto, é um movimento contrário, no qual muitas comunidades cristãs caminham a passos largos para a institucionalização, sem falar naquelas que estão com os dois pés fincados no terreno da religiosidade formal. Se não, observe o que eu chamo de marcas da institucionalização da igreja:

1. Liderança personalista. Quando a comunidade acredita que algumas pessoas são mais especiais do que outras, abre brecha para que alguém ocupe o lugar de Jesus Cristo e se torne alvo de devoção. Ocorre então uma idolatria sutil e, aos poucos, um ser humano vai ganhando ares de divindade. Líderes que confundem a fidelidade a Deus com a fidelidade a si mesmos se colocam em igualdade com Deus e, em pouco tempo, pelo menos na cabeça dos seus seguidores, passam a ocupar o lugar de Deus. Eis a síndrome de Lúcifer.

2. Ênfase na particularidade do ministério. Uma vez que o projeto institucional se torna preponderante, a ênfase não pode recair nos conteúdos comuns a todas as comunidades cristãs. A necessidade de se estabelecer como referência no mercado religioso conduz necessariamente à comunicação centrada nas razões pelas quais “você deve ser da minha igreja e não de qualquer outra”. Torna-se comum o orgulho disfarçado dos líderes que estimulam testemunhos do tipo “antes e depois de minha chegada nesta igreja”.

3. Ministração quase exclusiva à massa sem rosto. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento numérico e valorizam a ministração de massa, que se ocupa em levar uma mensagem abstrata a pessoas que, caso particularizadas e identificadas, trariam muito trabalho aos bastidores pastorais. Parece que os líderes se satisfazem em saber que “gente do Brasil inteiro nos escreve” e “pessoas do mundo todo nos assistem e nos ouvem”, como se transmitir conceitos fosse a única e mais elevada forma de dimensão da ministração espiritual. Na verdade, a proclamação verbal do evangelho é a mais superficial ministração, e deve ser acompanhada de, ou resultar em, relacionamentos concretos na comunhão do corpo de Cristo.

4. Busca de presença na mídia. Mostrar a “cara diferente”, principalmente com um discurso do tipo “nós não somos iguais os outros, venha para a nossa igreja”, é quase imperativo aos ministérios institucionalizados. A justificativa de que “todos precisam conhecer o verdadeiro evangelho”, com o tempo acaba se transformando em necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição se mostre como produto.

5. Projetos ministeriais impessoais. Ministérios institucionalizados medem seu êxito pela conquista de coisas que o dinheiro pode comprar. Pelo menos no discurso, seus desafios de fé não passam pelos frutos intangíveis nas vidas transformadas, mas em realizações e empreendimentos que demonstram o poder das coisas grandes. Os maiores frutos da missão da Igreja são a transformação das pessoas segundo a imagem de Jesus Cristo e da sociedade conforme os padrões do reino de Deus, e não a compra de uma rede de televisão ou a construção de uma catedral.

6. Exagerados apelos financeiros. Consequência de toda a estrutura necessária para sua viabilização, os ministérios institucionalizados precisam de dinheiro, muito dinheiro. As pessoas, aos poucos, deixam de ser rebanho e passam a ser mala-direta, mantenedores, parceiros de empreendimentos, associados.

7. Rede de relacionamentos funcionais. A mentalidade “massa sem rosto” somada ao apelo “mantenedores-parceiros de empreendimentos” faz com que as relações deixem de ser afetivas e se tornem burocráticas e estratégicas. As pessoas valorizadas são aquelas que podem de alguma forma contribuir para a expansão da instituição. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro; não mais o João, apenas o coordenador dos projetos Gideão, Neemias, Josué, ou qualquer outro nome que represente conquista, expansão e realizações.

8. Rotatividade de líderes. Não se admira que muitos líderes ao longo do tempo se sintam usados, explorados, mal amados, desconsiderados e negligenciados como pessoas. O desgaste de uns é logo mascarado pelo entusiasmo dos que chegam, atraídos pela aparência do sucesso e êxito ministerial. Assim a instituição se torna uma máquina de moer corações dedicados e esvaziar bolsos de gente apaixonada pelo reino de Deus. O movimento migratório dos líderes de uma igreja para outra é feito por caminhões de mudança carregados de mágoas, ressentimentos, decepções e culpas.

9. Uso e abuso de conteúdos simbólicos. A institucionalização é adensada pelos seus mitos (nosso líder recebeu essa visão diretamente de Jesus), ritos (nossos obreiros vão ungir as portas da sua empresa) e artefatos (coloque o copo de água sobre o aparelho de televisão), enfim, componentes de amarração psíquica e uniformidade da mentalidade, onde o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga identidades particulares. Os símbolos concretos (objetos, cerimônias repetitivas, palavras de ordem) afastam as pessoas do mundo das ideias. Quanto mais concretos os símbolos, mais amarrado e dependente o fiel.

10. Falta de liberdade às expressões individuais. Ministérios institucionalizados, personalistas, dependentes de fiéis para sua manutenção financeira e psicologicamente amarrados pelos conjuntos simbólicos não são ambientes para a criatividade e a diversidade. Todos brincam de “tudo quanto seu mestre mandar, faremos todos” e, inconscientemente, acabam se vestindo da mesma maneira, usando o mesmo vocabulário, gestos e linguagens não verbais. Seus rebanhos são compostos não apenas por “massa sem rosto” e “mantenedores-parceiros de empreendimentos”, mas também por “soldadinhos uniformizados”, o que, aliás, é a mesma coisa.

Ed René Kivitz
dica do Marcos Florentin